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terça-feira, 24 de abril de 2012

LIGA DOS CAMPEÕES 24/04/2012





Messi para na trave, Ramires faz golaço, e Chelsea elimina o Barça
Após choque, Piqué é levado a hospital e tem concussão constatada
Presidente minimiza eliminação do Barça e quer renovação de Guardiola

Messi para na trave, Ramires faz golaço, e Chelsea elimina o Barça

ramires chelsea x barcelona (Foto: AP)
 Ramires comemora o golaço que ajudou e muito a garantir o Chelsea na decisão da Champions (Foto: AP)


Acostumado a sempre decidir a favor do Barcelona, Lionel Messi experimentou um sentimento distinto nesta terça-feira. Com atuação abaixo de sua média, com direito a um pênalti perdido, o craque argentino parou na trave e viu os catalães serem eliminados pelo Chelsea na fase semifinal da Liga dos Campeões, no Camp Nou, com o empate por 2 a 2. O herói, desta vez, foi o brasileiro Ramires, que marcou um golaço no fim do primeiro tempo e ajudou a garantir os ingleses na grande decisão do dia 19 de maio, em Munique. Busquets e Iniesta anotaram para o Barça, enquanto Fernando Torres fechou o caixão culé nos acréscimos.
O resultado desta terça praticamente coloca a palavra fracasso como a melhor para definir a temporada dos espanhóis, a quarta de Guardiola no comando do clube, uma vez que o título espanhol é quase impossível (o Real está sete pontos na frente restando quatro rodadas). Para evitar uma tragédia ainda maior, o Barça pega o Athletic Bilbao no dia 25 de maio, no Vicente Calderón, em Madri, na final da Copa do Rei.
Já o Chelsea, que se desdobrou em campo com um homem a menos desde os 37 minutos da etapa inicial (Terry foi expulso ao dar uma joelhada em Sánchez), agora fica ligado na televisão e espera nesta quarta-feira o adversário de sua segunda decisão - em 2008, perdeu para o Manchester United nos pênaltis. Real Madrid e Bayern de Munique se enfrentam no Santiago Bernabéu com os alemães jogando pelo empate após vencerem por 2 a 1 na Allianz Arena.


A partida em muito lembrou a então última eliminação do Barça na Champions, há quase exatos dois anos, quando derrotou o Inter de Milão de José Mourinho por 1 a 0, gol de Piqué, em resultado que não foi suficiente para garantir a vaga. Curiosamente, na ocasião também com um a mais na maior parte do tempo: o brasileiro Thiago Motta foi expulso aos 28 da etapa inicial.

O primeiro tempo, obviamente, teve 45 minutos, mas seria mais fácil contar a partir dos 15 minutos finais. Afinal, tirando as lesões de Cahill, muscular, e Piqué, pancada na cabeça, que os fizeram ser substituídos, o que se viu foi o de sempre: massacre do Barcelona com amplo domínio territorial e de posse de bola diante de um Chelsea que se defendia de todas as maneiras.

De diferente da partida do Stamford Bridge, apenas a postura dos ingleses, que tentavam avançar a marcação sempre que podiam e dificultavam as ações dos culés, muito reféns das triangulações e tabelinhas do trio Messi, Fàbregas e Sanchéz. A partir dos 30, o jogo pegou fogo.
Surpreendentemente ansioso e apelando para chuveirinhos e chutes sem direção de fora da área, o Barcelona parecia nervoso diante da dificuldade de furar a retranca azul. Foi quando abriu o placar com um gol, digamos, improvável, aos 34. Primeiro, porque Messi, Xavi, Fàbregas ou Iniesta não participaram da armação da jogada; segundo, pelo posicionamento dos protagonistas.
Após cobrança de escanteio, a bola sobrou para Daniel Alves na entrada da área. Ao melhor estilo Xavi, ele serviu Cuenca, escalado para jogar aberto pela direita, livre no lado esquerdo. O jovem cruzou rasteiro e achou Busquets, como típico centroavante, para escorar de canhota no segundo pau: 1 a 0, e o confronto estava empatado.

terry chelsea x barcelona (Foto: Reuters)
John Terry ouve reclamações de Puyol após dar joelhada em Sánchez: expulsão precoce (Foto: Reuters)

Dois minutos depois, porém, John Terry aumentou sua lista de momentos polêmicos e foi expulso. O zagueiro, que já foi acusado de racismo, teve relacionamento com a mulher do companheiro de seleção Wayne Bridge, "agrediu" Puyol fora do lance na partida de ida e escorregou no pênalti que daria o título da Champions ao Chelsea em 2008, deu uma joelhada em Alexis Sanchéz sem bola e recebeu o vermelho direto. Na sequência, fez apenas uma feição de surpresa enquanto passava a faixa de capitão para Lampard. Quase não reclamou.

Com um a menos, o Chelsea fez o que lhe restava: defender até onde fosse possível. E não foi possível muito tempo. Aos 43, em inacreditável contra-ataque oferecido por uma equipe em desvantagem numérica, Alexis Sanchéz tocou para Messi, que serviu Iniesta. O camisa 8 apenas definiu na saída de Cech.
O mundo pensou: fatura liquidada. Menos Ramires. O brasileiro, que está fora da final por ter recebido o terceiro amarelo, aproveitou excelente passe de Lampard, invadiu livre a área e, com incrível frieza, tocou no cima de Valdés: golaço! E o brasileiro dançou diante do silêncio de 95 mil culés no Camp Nou. O improvável Chelsea terminava o terceiro dos quatro tempos do confronto classificado para a decisão.

O segundo tempo começou a mil. Como uma avalanche, o Barcelona engolia o Chelsea e se mandava para o ataque. E o gol parecia que não ia demorar para sair. Logo aos dois minutos, Drogba tentou ajudar na defesa e derrubou Fàbregas dentro da área. Pênalti que o árbitro turco Cunyet Çakir teve dúvidas, mas marcou com a ajuda do auxiliar Tarik Ongum.

Na cobrança, Messi, o melhor do mundo, o maior artilheiro de uma edição da Champions (14 gols), o craque do time. À frente dele, porém, estava Petr Cech, o goleiro que havia enfrentado sete vezes sem sucesso. Parece que a figura do tcheco pesou. O argentino caminhou lentamente e acertou o travessão. O mundo arregalou os olhos: ele também falha! Este foi o oitavo pênalti perdido dos 33 que cobrou com a camisa do Barça.
E, neste jogo em especial, como falhou. Mesmo com a assistência para o gol de Iniesta, Messi esteve irreconhecível: errou passes bobos, se mostrou nervoso, fez faltas duras - levou um cartão amarelo - e até empurrou Lampard em confusão com Fàbregas aos seis. Definitivamente, Barça x Chelsea não era um confronto normal.
Sem ter muito o que fazer, Roberto Di Matteo fechou o Chelsea de vez e trocou Mata por Kalou. Seriam 30 minutos de pura pressão. Aos ingleses, por sua vez, pesava a experiência, principalmente de Drogba e Cech. No ataque, o marfinense se virava como podia, segurava a bola e até gol do meio-campo tentava. Lá atrás, o tcheco era um monstro.

Messi - Chelsea X Barcelona (Foto: Ag. AFP)
Lionel Messi perdeu um pênalti no início do segundo tempo: vilão na eliminação do Barça (Foto: Ag. AFP)

Como se não bastasse parar chute de Cuenca na pequena área, o arqueiro amarrava o jogo e irritava os rivais demorando para cobrar tiros de meta. Ele ainda contou com a sorte e viu chute de Messi explodir em sua trave esquerda. Tudo dava certo para o Chelsea. Os deuses da bola pareciam estar de cansados da hegemonia do Barça.

Do lado de fora, Guardiola tirava o casaco, mexia na gravata, gritava, gesticulava. O Barça dominava, mas não criava. Pior que isso, via quase todas as jogadas ofensivas morrerem nos pés de seu melhor jogador: Messi. O clima de tensão era evidente. Incrédulos, os culés sequer conseguiam apoiar e reclamavam até dos três minutos de acréscimos. Também pode ser sofrido torcer para o Barça. E dessa vez o sofrimento é por tempo indeterminado.
Em contra-ataque mortal, Fernando Torres decretou o 2 a 2 aos 47 minutos. Não é novidade para o Camp Nou ver gols de “El Niño”, algoz desde os tempos de Atlético de Madrid - o oitavo em 11 jogos. A festa é inglesa, e na quarta tudo pode ficar ainda pior, com uma festa em Madri. Ao Barça, restam as lágrimas de Xavi e Sanchéz ainda em campo, um Messi em estado de choque e secar para que o principal rival não lhe roube o posto de melhor do mundo. Sim, pode ainda ser pior.

Fernando Torres Chelsea x Barcelona (Foto: Getty Images)
Fernando Torres dribla Valdés para selar a classificação do Chelsea à decisão (Foto: Getty Images)

Após choque, Piqué é levado a hospital e tem concussão constatada

O choque sofrido durante o duelo contra o Chelsea, no qual o Barcelona foi eliminado da Liga dos Campeões, fez com que Gerard Piqué fosse levado a um hospital próximo ao Camp Nou por precaução. Segundo informou o clube catalão, o zagueiro sofreu uma leve concussão e passará a noite em observação.
Depois de Drogba ser lançado na área ainda no começo do jogo desta terça, Valdés saiu para socar a bola e acabou batendo com o quadril na cabeça do companheiro. Piqué caiu desacordado e ainda tentou continuar na partida, mas acabou substituído por Daniel Alves poucos minutos depois.
Piqué foi um dos protagonistas nas vésperas do segundo jogo da semifinal, já que ficou fora do time titular no primeiro jogo contra o Chelsea e no clássico contra o Real Madrid, no último sábado.

Presidente minimiza eliminação do Barça e quer renovação de Guardiola

Sandro Rosell, presidente do Barcelona (Foto: Thiago Dias / Globoesporte.com)
Rosell, presidente do Barça(Foto: Thiago Dias)

O presidente do Barcelona, Sandro Rosell, reafirmou seu desejo pela permanência de Josep Guardiola no comando da equipe e aproveitou para elogiar os jogadores após a eliminação diante do Chelsea, nesta terça-feira, após empate por 2 a 2 no Camp Nou - os ingleses haviam vencido a ida em casa por 1 a 0.
O treinador, que assumiu a equipe em 2008, ainda não confirmou se seguirá no comando do Barça na próxima temporada.
- Espero e desejo que (o treinador do ano que vem) seja Pep. Suponho que tenha mais tempo para refletir nas próximas semanas. Confiamos nele, é fundamental em nosso estilo e em nossa aposta pelo jogo bonito. Esperamos que todo o grupo siga unido - disse Rosell, em declarações a emissora "TV3".
O dirigente catalão qualificou a eliminação do Barcelona como injusta.
- Cada vez que tivemos um tropeço podemos dizer que foi injusto, porque o Barcelona tem sempre mais posse e chances de gol. Mas é preciso aceitar. É como jogam nossos rivais. Às vezes funciona, e para o Chelsea funcionou. Não mudaremos, é nossa forma de ser. Estou feliz e orgulhoso porque sabemos ganhar e também perder como demonstrou nossa torcida - garantiu Rosell.
O presidente diminuiu a importância do pênalti perdido por Messi.
- Teria sido fantástico que Messi marcasse o gol, mas não atribuo a isso a eliminação. Tivemos inúmeras oportunidades e eles três. Não se deve insistir nisso. É o jogo - sentenciou.

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