O diretor-geral do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), Ramon Rodrigues, tomou posse nesta terça-feira (31) afirmando que está no cargo por um período de "transição". "Fico por um dia, uma semana, um mês, não sei. Continuo como secretário nacional de irrigação e estou aqui durante um período de transição. Depois a presidente Dilma deve indicar alguém de forma defitiva", disse Rodrigues.
Ele assume o cargo no lugar de Elias Fernandes, que deixou o posto após relatório da Controladoria Geral da União apontar desvios de verba no órgão. Na cerimônia, o ex-diretor Elias Fernandes disse a crise no Dnocs trouxe um benefício ao mostrar "a cicatriz" do órgão.
Ramon Rodrigues disse que a prioridade será reestruturar o planejamento das obras do Dnocs, que devem ser executadas nas gestões seguintes. Em seguida, o diretor recém-empossado disse que pretende "destravar empecilhos em uma série de obras" no Brasil.
A exoneração "a pedido" do diretor-geral Elias Fernandes Neto foi publicada no "Diário Oficial da União" da sexta-feira (27). Elias Fernandes Neto deixou o cargo na quinta-feira (26), após acusação de ter favorecido seu estado de origem, o Rio Grande do Norte, em convênios do órgão. Na terça-feira (24), o ex-diretor-geral negou as acusações, na sede do órgão, em Fortaleza. A saída foi anunciada em nota oficial divulgada pelo Ministério da Integração Nacional, ao qual o órgão é submetido, após reunião entre Elias Fernandes Neto e o ministro Fernando Bezerra Coelho.
"Essa crise trouxe um benefício"
Para Elias Fernandes, a crise no Dnocs trouxe um benefício ao mostrar "a cicatriz" do órgão. "Com essa crise foi mostrado que o órgão tem déficit de pessoas no seu quadro de servidores, que há muita coisa parada devido a burocracias e dificuldade conseguir licença ambiental. É necessária uma reestruturação do Dnocs em todos os sentidos, e o ministro Fernando Bezerra (Integração) foi alertado sobre isso", disse Elias Fernandes.
Elias Fernandes deixou o cargo após quatro anos e meio no Dnocs; segundo ele, nesse período o quadro de funcionários foi reduzido de quase 1.700 para 800. "Mesmo com essa redução o Dnocs conseguir ampliar o número de projetos, todos com orçamento garantido", afirmou.
Reportagem publicada na terça-feira (24) pelo jornal "O Globo" informou que a Controladoria Geral da União (CGU) apontou suposto favorecimento ao Rio Grande do Norte, estado de origem de Elias Fernandes Neto, nos convênios para ações contra desastres naturais. De 47 projetos, o estado teria recebido 37. Elias Fernandes Neto negou irregularidades.
Em menos de dois meses, três diretores do Dnocs foram exonerados. Na última segunda-feira (23), a presidente Dilma e o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, assinaram a exoneração do diretor administrativo-financeiro do órgão, o cearense Albert Brasil Gradvohl. De acordo com o Departamento, em dezembro do ano passado, Cristina Peleteiro foi exonerada da Diretoria de Infraestrutura.
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